domingo, 10 de fevereiro de 2013

Crónicas das melhores coisas do mundo

Adormecer o meu cão no colo. Olhar para ele e sentir que ele me ama como poucos me amaram. Afagar-lhe o pêlo e sentir que a minha proteção é muito importante para ele, assim como também o é para mim.  Da forma como me olha, enquanto o adormeço, sei que é para sempre. É um amor a sério - puro, verdadeiro, genuíno, desculpabilizante, cúmplice, maravilhoso e eterno.

"(...) temos muito a aprender com os animais, um animal é de facto aquele que te ama incondicionalmente, ele só quer saber se tu chegas, não quer saber se lhe ralhaste de manhã, se vens chateado, ama-te incondicionalmente. (...) Como é possível tu pegares num animal que estás a olhar nos olhos, metê-lo no carro sabendo que vais à estrada abandoná-lo? Que tipo de pessoa é capaz de fazer isto? Se tu és capaz de fazer isto, és capaz de muitas outras coisas. E quando não for um animal e for o teu avô, que já ouve mal e tal?
Pessoas que são capazes de fazer mal aos animais, para mim definem-se em relação a muita coisa na vida." por Rodrigo Guedes de Carvalho.

"Coragem" - [episódios]

Desequilibro emocional é chegar a casa, extremamente feliz - um dia passado com amigas e um treino de cardio muito bem feitinho no ginásio - e após um quarto de hora da minha entrada em casa, começar a assistir a mais uma discussão entre a minha mãe e o meu tio. Hoje foram eles os dois. A minha avó já nem sabe reagir, é muito sofrimento para uma mulher só. E uma mulher bem forte, muito forte. O mesmo se aplica ao meu [grande, enorme] avô. Nem consegui jantar em paz, tranquilidade, porém não foi briga feia, mas como é constante, mói muito.
Para a minha mãe nada está bem feito, ninguém faz nada bem feito, incluídas limpezas e cozinhados. O meu tio gasta o dinheiro que não tem em projetos falidos. E resumidamente, estes são os problemas-base.

E agora, como fica o meu emocional? Fico feliz pelo meu dia e pela vida que quero e faço de conta, como quando era pequenina, que isto não existe? É assim, quase, diariamente e, por vezes, não consigo fazer de conta por muito tempo. Mas estamos nessa luta.


[Obrigada Joana. Nem te sei dizer como gostei de te revelar tudo isto.]

sábado, 9 de fevereiro de 2013

"Coragem"

Este texto está para ser escrito há tanto tempo quanto o tempo em que eu mesma existo. A questão em causa é a minha personalidade e o ambiente vivido cá em casa. Parece no sense comparar personalidade com ambiente familiar, mas tem tudo a ver. Já vão entender. 
Eu não sou constante, sou diferente e a minha família também nunca o foi. Lembro-me (nitidamente) de sangue espalhado pela casa, de prisões, guardas, choros, gritos e ainda me lembro onde aprendi todos os nomes feios que, normalmente os pais não querem que os filhos digam, aqui mesmo em casa. Lembro-me também, de não me poder exprimir com medo de geral alguma briga. Sempre sofremos muito aqui em casa, uma instabilidade dilacerante. Filhos que batem nos pais, os pais que dizem nomes feios, os caminhos duvidosos que eu sempre soube que não queria seguir.  Não consigo descrever tudo aquilo que sempre vivi, é forte, é intenso. 
 Porém, com este exemplo vocês perceberão a experiência que vivi - eu escrevia em folhas de papel, agendas e livros, que a única coisa que queria era paz, não escrevia a pedir bonecas ao Pai Natal. Eu quero sempre mais do que bens materiais. Talvez por isso não lhes ligue nada, aos bens. Talvez por isso valorize tanto a paz, a imensa e sábia paz.

 Os meus sonhos baseavam-se somente em ir estudar para mais tarde ter trabalho e para poder ter a minha casa. Por outro lado, sempre tive (e tenho) receio de deixar os meus avós a sofrerem. Nunca consegui ir embora de vez. É sempre uma coisa muito dúbia - eu sinto-me culpada por abandonar e deixar sozinhos aqueles que sempre cuidaram de mim e me deram tudo, mas por outro lado, eu sei perfeitamente que o desequilíbrio emocional que me foi encutido, desde sempre, contribuiu para esta minha personalidade inconstante e fechada.

Aqui em casa, quando tudo está bem, de repente, tudo pode ficar bastante mal. Discute-se, briga-se, grita-se. Gostam todos muito uns dos outros, mas não conseguem. É-lhes mais forte. Eu sofro de alterações de humor constantes - típico de quem cresce nesta envolvente - dou por mim com dúvidas existenciais, com mudanças de humor e desequilíbrios, com receios e agressividades. Eu não sou assim. Ou melhor, eu não era para ser assim. Mas fiquei... Sou o reflexo de tudo aquilo que sofri na pele até hoje. 

Por isto é que eu, idolatro famílias felizes, grandes, sólidas, companheiras, fortes e amigas. É só ouvir uma história, um episódio de família feliz da boca de alguém que me vidro na conversa com o maior dos agrados. Os meus amigos nunca souberam disto, alguns deles sabiam por ouvirem falar (conversas da terra), mas de mim poucos ou nenhuns souberam. Daí eu nunca convidar ninguém para ir à minha casa, como gente normal faz. Não quero e, claramente, tenho vergonha. Sei, por experiência que, a qualquer momento, "a bomba" pode explodir.

Um dia, um seminarista, sem me conhecer de lado algum, olhou-me profundamente nos olhos, tão dentro de mim, tão profundamente em mim, como se me tivesse a observar a mente e as entranhas e disse-me: "Coragem". Simplesmente, "Coragem" e sorriu. Como se ele soubesse, tudo aquilo que já passei e tudo aquilo que [suspiro] irei passar.

Com este meu desabafo, não quero, de forma alguma, afirmar que sou a mais sofredora de todas, porém, quero afirmar, num dia como o de hoje, em que estou uma folhinha de papel branca sem linhas, que sim, eu não sou aquilo que me fizeram, eu sou aquilo que era para ser.   

Eu não sou aquilo que me fizeram, eu sou aquilo que era para ser.

Saturday Stuff


Hoje é mais um daqueles dias em que me sinto confusa. Estou sem saber o que dizer, sem saber o que fazer, o que vestir, nem o que pensar...Tenho que me decidir. É a única saída, saber o foco e focar. Bom dia!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Texto sem piadas acerca do Grande Lance Armstrong

Há uns dias, aconselharam-me tomar L-caritina uma hora antes de ir para o ginásio - sim, antes do exercício, milagres existem mas não é bem no emagrecimento - para dar energia e potenciar a queima de gordura. Pensei, analisei o preço e pareceu-me melhor não comprar.  Porém, comentando com um amigo meu, iniciado recentemente nestas lides desportivas e que quer muito fazer tudo direitinho para ter um corpinho forte e trabalhado, que este produto me tinha sido aconselhado, ele gostou da ideia e eu propus uma compra a meias. Assim foi e gora brincamos e dizemos que nos estamos a dopar. Hoje, pela primeira vez, tomei uma substância ilícita (lol), um suplemento auxiliar. Sou uma exagerada, uma grande maioria das pessoas que treinam, toma suplementos alimentares para potenciar resultados e auxiliar no processo, de forma perfeitamente natural. Uma coisa é certa, sem exercício e alimentação, este tema de conversa nem sequer se aplica, tampouco.

Ainda estou na fase experimental, mas pondero que aquilo mal, pelo menos, não me faça. Mas a verdade é que hoje tenho estado, ainda mais stressada e nervosa, do que o habitual. Será? Vamos ver com a continuação.

Ainda sobre o dia de ontem

O dia de ontem terminou bem. As panquecas, sem a bendita frigideira anti-aderente, correram bastante bem e eu consegui levar a cabo duas panquecas bem fofinhas, saborosas e, para meu espanto, inteirinhas da silva. Depois fomos ao Hospital veterinário com o meu cãozinho amado e também está tudo bem. A doutora examinou, fez uma análise de sangue, fez um raio-x e detetou uma pequena infeção nos seus pequeninos pulmões - uma bronquite. Agora está a antibiótico e volta daqui a oito dias para verificar se está melhor e para confirmar se não é nada crónico. Como animal adoptado que é, torna-se complicado por que não fazemos ideia do passado de patologias dele. Também levou uma coleira peitoral ao invés da coleira tradicional no pescoço, tudo para não esforçar mais a traqueia. 

                                                   O meu menino é igual a este, mas maiorzinho. :)

Escusado será dizer que estive o dia inteiro bastante nervosa com isto do meu menino, porém tudo finalizou pelas oito horas, connosco em casa aconchegados do frio imenso da rua e com um jantar saudável para todos. No final da noite, uma conversa agradável com pessoas agradáveis, invulgares e misteriosas, tal como se quer. E claro, a minha novela páginas da vida, maravilhosa. Também ela, diferente, invulgar e realista.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pela tarde...

Mais logo, vamos ao Hospital Veterinário com o meu cãozinho amado. Não gosto nada, nada, nada, mas tem mesmo, mesmo, mesmo de ser. Anda com umas tosses invulgares, uns engasgos e hoje pela manhã, vomitou [suspiro] depois de um desses engasgos/falta de ar, não sei o que passa com ele. O que tenho a certeza é que depois do desgosto dilacerante e cruel [ain] que tive com o meu outro menino, fico sem pinga de sangue e de coração nas mãos a coagular, quando algo não está bem com este meu querido amado. Ainda para mais, encontra-mo-lo abandonado nas ruas e acolhe-mo-lo sem saber, absolutamente nada, acerca do passado dele. 

E para recuperar do exercício físico intenso, esta tarde também fico por casa sem treinar. Assim fico com ele aninhada no sofá e mais logo, lancho umas panquecas integrais, receita da Joanuxa - que farei qualquer apoio de uma frigideira anti-aderente, visto que ainda não tenho essa maravilha  - acompanhadas pelo meu épico, tradicional e campeão das melhores das melhores bebidas do mundo, gaaaaaaaaaa-lão.