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Evito falar nas coisas mais profundas da minha vida, aqui no blogue. E na maioria das vezes, apetece-me mesmo, verdadeiramente, falar somente sobre alimentação e exercício físico. E que é, também, uma das minhas paixões. Não que isso não seja um tema profundo, interessante e logicamente, variado. Mas sinto que realmente não me apetece, na maioria dos dias, falar (aqui e com amigos) sobre o estado do meu coração, dos dramas profissionais, da minha família, das minhas coisas mais pessoais. Falo, já falei e vou continuar a falar, de certeza. Porém, não tenho por norma, escrever sobre isso, todos os dias. Escrevo por divagação, do que me apetece falar nesse momento, de uma das mil e trezenta e trinta coisinhas que me passam pela minha mente depravada. Então, a alimentação e o fitness é daqueles temas que está diariamente presente, na minha vida. Por isso, é disso que mais tenho para contar. As minhas crónicas são mesmo da miudice e, incluém tudo o que existe nesta vida real de gigantes, palhaços e saltos em comprimento.
Hoje apetece-me, definitivamente, falar um pouco da minha vida profissional, fazendo uma auto-análise crua e, o menos floreada possível, à minha pessoa. O que me ajuda a ver, claramente, o que ando aqui a fazer nesta mundo! [ i need know me].
Na escola primária, sempre fui boa aluna. Era daquelas crianças que adorava ir para a escola e era, consideravelmente, paparicada pelas professoras. Tinha boas notas e adorava língua portuguesa (livros mágiiicos), principalmente quando tinha de utilizar uma espécie de escrita criativa nas boas e velhinhas composições. Matemática era aquela base.. fazia-se, mas não com grandes facilidades, como os meus colegas que, se davam ao luxo de fazer contas de cabeça. Não. Pois que nunca me deu para ter cabeça de tabuada. Mas a coisa dava-se! A minha avó ajudava a decorar a tabuada e lá conseguia qualquer coisita nas avaliações e tpc's.
No colégio, este mesmo cenário, sempre se repetira. Boa aluna nas letras, menos boa aluna nas matemáticas. Tinha explicações a matemática, por isso tirara boas notas às duas áreas e não tinha, mesmo, motivos para queixas ou negativas. A par dos estudos, trabalhei, desde os quinze anos, durante o verão em restauração e hotelaria, o que influenciou a minha noção do quão dificil é ganhar a vida, incentivando o meu sonho de faculdade, sustento, independência e altos voos.
No secundário, quando tive que escolher uma área definitiva para seguir, obviamente que decidi seguir pelas humanidades. E, bingo! Moro numa terra pequena e, de facto, essa área não tinha alunos suficientes. Restara-me administração e cientifico-natural. Escolhi admnistração, completamente frustrada, mas querendo fugir às matemáticas e aos números. Os anos foram enrolando erros entre si e, apesar de convicta de que queria era algo relacionado com letras, deixei-me levar ao sabor da crítica. Sim, da crítica. Não me enganei na palavra.
As minhas escolhas para o próximo passo da minha vida eram todas para Jornalismo, direito, ensino de português, ou seja, para as letras. Eu não sabia ao certo o ponto, mas sabia a direcção da bússola. E a reacção de (quase) todos era, principalmente dos meus, era a mesma- "isso são áreas sem futuro algum, vais morrer de fome".
Escolhi Gestão de empresas e entrei para a faculdade com média de 16, sendo que para ingressar em gestão pediam média de 9,5. E pronto, deu-se um dos maiores passos em falso da minha vida. Já trabalhei na minha área em diversos locais. Neste momento, estou a fazer um estágio profissional. Sou infeliz com isto e não tenho certezas para avançar e fazer 180º à minha vida. Tendo vontade, não tenho suficiente!
Só penso no que, outrora, a minha professora de português escreveu num dos meus testes do décimo segundo ano - "não desistas desta área, segue via profissional disto, a tua escrita está muito boa".
E eu adoro escrever! Eu adoro português, desde sempre. Não que tenha uma escrita e uma gramática de gente graúda, mas o prazer que retiro disto é, sem dúvida, interminável.
Não tenho coragem, ainda hoje, para formar-me numa área que é, maioritariamente, excluída pelas estatísticas de colocação. Se voltasse atrás com dezoito anos, era o que faria, sem pestanejar. Mas quem é que com dezoito anos (ou menos) sabe, convictamente, o que quer fazer para toda a vida? Poucos, mesmo poucos.
Quando o estágio acabar... Deus sabe.