segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O copo está quase cheio

E Agosto já vai em 20 e eu já vou em 3000 esgotamentos. Estes últimos meses têm sido péssimos no que diz respeito à minha organização. É de facto o que mais preciso fazer- organizar a minha vida - para conseguir estabilizar, de uma vez por mil.
No entanto, ando um pouco em modo - pausa por enjoo. Acho que é por ser Agosto. Será? Também não tenho apreciado, como dantes, ler os trezentos planos alimentares que a blogoesfera alimentícia coloca em marcha. De repente, isto deixou [me] de soar bem. Existem momentos da nossa vida em que parece que temos um wake-up geral e drástico da forma como estamos a viver a nossa vida. Certo? Depois de quase uma semana em casa, a resolver problemas e a viver a vida de forma natural, familiar e nada virtual, cheguei hoje em frente ao computador (que não levo comigo) e deparo-me com muitas actualizações dos meus blogues para pôr em dia. Ao abrir os textos e as imagens de algumas das meninas que acompanho, senti receio. Eu fiquei estupefacta a olhar para os pratos de comida que habitualmente adoro observar e comecei a sentir desinteresse por eles. Não pelas descrições dos dias, pela maturidade de algumas, nem pelas metas e planos que têm pela frente, mas sim pelo rigor da contagem de ervilhas a colocar no prato.

E o dia chegou. E isto surgiu em mim. Verdade é que quero [muito, tanto] emagrecer. Verdade é que me quero curar do drama doces-compulsivos. Verdade é que adoro a temática alimentação saudável e exercício físico - felicidade. Mas mais verdade ainda é que olhar para pratos com comida contada à grama todos os dias, contribui com a dose completa para eu ficar ainda mais paranóica com tudo isto.

Não consigo colocar tudo aquilo que como num blogue, num diário, apesar de já ter tentado. Indo por esse caminho, acabo por ficar tão pressionada com a comida e tão mais preocupada, que vai tudo por água abaixo, dia menos dia. Tenho de ser menos restritiva, elevar a importância do meu bem-estar nesta minha cabeça e diminuir os pensamentos metódicos com comida. Eu tenho uma vida para construir. Tanta coisa em que pensar. Posso ser melhor hoje e ainda melhor amanhã. Posso ser diferente e fazer escolhas. Tenho um trabalho para acabar. Tenho que me formar enquanto pessoa. E não quero pesar comida. Eu quero falar em comida quando me apetecer falar em comida. E não fazer disso uma prioridade na minha vida. Mas poder contar como está a minha dieta e revelar também, como está a correr os dois meses finais deste meu actual trabalho. É assim que estou neste momento. Assim é a forma como me quero projetar. Eu quero mesmo ficar menos neurótica. E nem é por estar mais magra, que nem estou. É mesmo por tentar enverdar por um caminho sem pressões nem fixações. Já tentei tanto (!) ser metodicamente perfeita e percebi que isso, para mim, não se enquadrará jamais.

E sim, eu gosto especialmente de vos acompanhar. Rejúbilo com a vossa alegria e com as vossas conquistas, sim. Mas quero muito ser um espirito livre da contagem calórica constante em formato mental. É isso aí. Mentalizo-me, por ora, que vou conseguir estabilizar e ser mais livre, leve e solta de tudo aquilo que me prende, constantemente.

Há pessoas que leio que são verdadeiras lufadas de ar fresco na minha vida. Por pura inspiração. Por se terem adaptado há anos a uma alimentação sana e feliz. Porém, leio raparigas que tenho receio que estejam a passar por estes problemas mentais que eu passo diariamente com a comida - o síndrome contagem calórica em formato mental. E eu não quero depender disso! E sinceramente, odeio saber que vocês também passam por isso! A sensação top odioso que eu não consigo tolerar é a do vício.
Por exemplo, eu já bebi muito (vida académica) e deixei de beber por completo, pois achei que estava a ficar meio dependente daquilo para me divertir; já dependi demasiado do computador, optando assim, por não o utilizar nos meus fins-de-semana, o que resultou muito para o brilho da minha sanidade mental; já fui totalmente viciada no facebook do meu ex, um dia optei por eliminá-lo da minha rede, mas confesso que, muito de vez em quando, ainda o visito; já fui viciada em doces e.... to be continued!

:)

3 comentários:

  1. Olá Mia!
    O teu post foi uma lufada de ar fresco para mim hoje!
    Obrigada por isso!

    Tudo o que te posso dizer é q apoio-te completamente e espero estar aqui para ler o final deste post!:)

    beijinhos

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  2. Olá Mia.
    Eu confesso que há fases em que fica fácil fotografar o que como. Acaba por ser tão natural como ir buscar a colher para comer sopa. Mas depois tenho aquelas fases em que simplesmente não me apetece pegar na máquina, nem estar sentada em frente ao pc.
    Acho que vamos passando por fases diferentes e o que me apetece hoje, não me apetece amanhã. Seja como for, o objectivo é sempre o mesmo: equilíbrio - que tem andando um bocado ausente - dado as quantidades abismais de fruta e pão que tenho comido. Porque também se pode ter compulsões sem doces e sem pensarmos que aquilo é uma compulsão... Mas mais uma vez...são fases!
    Beijinhos

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  3. Só para deixar um beijinho grande e dizer-te que acho que o teu problema não é de todo a comida, isso está a ser uma consequência. Foca-te no essencial, segue o teu coração.

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