terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma aventura na Igreja Evangélica

Eu, por norma, tento não criticar nada nem ninguém sem passar pelo veredito da experiência. Só passando pelas situjações posso tirar as minhas próprias conclusões. O que por si só, também não deixa de ser apenas e só, a minha opinião. E é moldável. Vou construíndo e modificando opiniões, a todo o momento, ou não fossemos nós seres, total e infinitamente, em construção.
E então se o assunto é religião, respondo-vos que estou constantemente a alimentar as minhas dúvidas. Leio muito sobre a religião Espírita, estudo, acompanho algumas reuniões e sim, acredito nos seus fundamentos. Mas a dúvida alimenta o meu ser, tanto mais em algo que não é racional, nem tampouco se vê com os olhos.
Não tenho estado a ultrapassar uma fase fácil, como sabem e são nestes momentos de insanidade, que todas as dúvidas e pensamentos feios invadem a minha cabeça como se ela mesma fosse uma metralhadora carregada e pronta a disparar.

Ontem queria sair do trabalho e não ir, de imediato, para casa. Caminhei furiosamente, caminhei, caminhei, sentei-me num banco de jardim e tentei não comprar alimentos de lixo. Andei mais. Andei tanto que dei por mim a dar a maior volta que poderia ter dado para chegar a casa. E deparo-me, mais uma vez, com uma sala silenciosa da Igreja Universal do Reino de Deus. Entro sem pensar e tento ler tudo o que estava nos papéis afixados, como quem procura uma ajuda e um milagre. De repente, entra um senhor brasileiro e dirige-se a mim, dizendo para me sentar e desabafar com ele. Ora, não deveria, nem o conhecia! Mas eu sentei-me. Quase que hipnotizada por aquele bondoso gesto de ajuda.
O senhor começa a falar comigo, a explicar-me o que significado desta religião (juízo final, céu e inferno) e a questionar-me o que me atormentava e o que me tinha, afinal, levado a entrar ali. Nem eu sabia, senhores!Eu só abri a boca umas duas vezes e disse apenas que estava triste e deprimida. Ele convidou-me a assistir à palestra deles pelas 8p.m e eu disse-lhe, sem pensar, que sim. Gosto de aventuras e de desafios.

Fui a casa, lanchei, equipei-me para a corrida e pensei para comigo que, se não fosse aquela palestra, não ficava bem. Eu queria mesmo perceber o que aquilo é, o que move tanta gente a dizer que se curou de tantos males e também para aceitar, simplesmente, o convite a curar-me deste estado.
E fui à palestra. Entro e deparo-me com um cenário diferente e que seria, para os mais sensíveis, algo mais assustador. Uma sala com algumas pessoas de diferentes faixas etárias, dois "pastores" e alguma confusão. Pessoas a falarem com Jesus em voz alta e ao mesmo tempo. O pastor a gritar, literalmente. A tentar dar ordens aos supostos espiritos malignos que lá estavam. Ele também falava directamente para mim (chamava pelo meu nome) e ironizava a minha religião. Porém, eu continuava lá. Estranhei o facto das pessoas levarem consigo carteiras e envelopes, mas permaneci até ao fim da sessão. Eu senti-me uma jornalista, basicamente. Sentei-me e ouvi mais coisas estranhas. Mas eu, no fundo, não estava à espera de nada de mais extraodinário, mas heis o momento em que tudo ficou claro para mim. O pastor pede dinheiro às pessoas. O pastor pede ofertas como "sacrificios". Aliás, ele pede 10% dos rendimentos dos fiéis. Sim. Incentiva e "ajuda" nos negócios e pede, também que nos próximos dias levem dízimos desse dinheiro. Pelo que entendi, as pessoas oferecem mais do que esses 10%.
Sinceramente, fiquei chocada e desiludida. A todos os estudos que participo na religião Espirita, nunca ninguém sequer falou em dinheiro. O que fazemos é tentar desvendar a religião. Estudar, a sério. Ler e investigar. Entre-ajuda. Encontrar sentido na Vida. Perceber quem é Deus que todos falam, mesmo aqueles que não acreditam nele. O quão imperfeitos somos e tentar melhorar todos os dias, nem que seja um milimetro.
Fiquei ainda mais chocada por existirem realidades tão diferentes neste mesmo mundo. Louvo a fé de quem acredita desta maneira. Louvo a fé de quem oferece dinheiro assim por serem tão bem convencidas pelos pastores. A sério que sim. Mas desta forma, eu não consigo acreditar nem ir lá mais. Fui questionar uma rapariga (16/17 anos) que lá estava com a sua mãe e que me afirmou que sim, acredita no evangelismo e não acha estranho as ofertas que solicitam, visto que a coisa mais dificil de dar é o nosso dinheiro e isso sim é o maior sacrificio esperado.

O bom disto é que eu adorei a experiência. Sim, adorei. Adoro conhecer novas realidades, apesar de ter ficado desiludida com o que aquele pastor me ofereceu inicialmente. Não quero voltar. Para quê? Deixar-me convencer e olhem que eles fazem isso, incrivelmente bem, que dar o dinheiro que tanta falta fará a muito boa gente que passa fome, para as mãos de gente que quer enriquecer assim? Não. Mas louvo, como disse, a crença de cada um. Só espero que cada uma dessas pessoas que lá estava seja ou se torne, verdadeiramente, feliz.

E pronto, saí de lá às 21:30 p.m, música alta e animada nos ouvidos e fui correr 30 minutos. :)

5 comentários:

  1. Olá Mia!

    Olha eu percebo perfeitamente o que sentiste. Eu acho que há situações em que estamos tão desesperados por respostas que recorremos ao que for preciso. Eu conheço pessoas que nessas situações recorrem à Igreja Evangélica, e que se tornam muito felizes assim.

    A mim confesso-te que isso me faz muita confusão. Mesmo na Igreja Católica há coisas que me fazem uma confusão tremenda ;)

    No fundo acho que cada um deve ter uma opinião pessoal daquilo que é a sua espiritualidade. Eu acredito em Deus, acredito em Jesus, acredito em amar o próximo e fazer o bem. Não acredito no céu, nem no Inferno, nem em ir à missa ;)

    Beijinhos :)

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  2. Ola Mia :)

    Eu já conhecia essa realidade da igreja universal. Nunca lá fui mas meu tio frequentou ou frequenta a muitos anos.

    O tal dízimo, os tais 10% do salário, devem ser dados antes mesmo de pagares as tuas contas. Eles fazem isso, acho eu, para evitar que comeces a pagar as contas e não sobre dinheiro para eles. Acho triste.

    Eu "sou católica" mas a uns 4 ou 5 anos que não piso numa igreja. Acredito em Deus mas não acredito nos homens. Algumas coisas que acontecem na igreja me fazem duvidar. Mas enfim, é como dizes, há que testar para tirar as dúvidas.


    Bjnho :)

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    1. Eu acho que Jesus ora por todos nós! Independentemente da religião que se confie!

      ;)

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  3. Eu digo que sou católica porque foi nessa religião que os meus pais me educaram. Por isso respeito esta minha "herança familiar" e que fez parte da minha educação enquanto cresci. Mas sinceramente é-me indiferente qualquer que seja a religião das pessoas. Eu sou católica porque nasci em Portugal, de maioria católica. Se tivesse nascido na China provavelmente seria Budista, na Índia seria Hindu... etc. A ideia fundamental de cada religião acaba por ser a mesma.
    Hoje em dia não vou à missa nem sou uma pessoa especialmente religiosa. Acho que é indiferente a religião que se professa ou até que nem se acredite em nada, desde que sejamos pessoas respeitadoras do próximo e tentemos levar a vida da melhor forma possível.
    No caso das "seitas" é um pouco diferente... mas também respeito se as pessoas forem felizes e se sentirem bem.

    E agora não tem nada a ver, mas por causa do teu comentário:
    Se és de Milfnts (estiveste por lá estes dias?) sabes bem o fascínio que os gelados da Mabi exercem! ;) Uma pessoa não tem culpa... eheh :)

    Beijinhos

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  4. Há uns anos conheci uma rapariga que se mudou para o prédio onde eu vivia e tornámo-nos amigas. Ela e os pais pertenciam a essa igreja. Fiquei chocada no dia em que me disse que se ia ambora porque tinham oferecido a casa à igreja. Chocou-me também o facto de ela ter reagido como se fosse uma situação perfeitamente normal.

    Big Kisses

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