quinta-feira, 12 de julho de 2012

Passos em falso e saltos em comprimento

Evito falar nas coisas mais profundas da minha vida, aqui no blogue. E na maioria das vezes, apetece-me mesmo, verdadeiramente, falar somente sobre alimentação e exercício físico. E que é, também, uma das minhas paixões. Não que isso não seja um tema profundo, interessante e logicamente, variado. Mas sinto que realmente não me apetece, na maioria dos dias, falar (aqui e com amigos) sobre o estado do meu coração, dos dramas profissionais, da minha família, das minhas coisas mais pessoais. Falo, já falei e vou continuar a falar, de certeza. Porém, não tenho por norma, escrever sobre isso, todos os dias. Escrevo por divagação, do que me apetece falar nesse momento, de uma das mil e trezenta e trinta coisinhas que me passam pela minha mente depravada. Então, a alimentação e o fitness é daqueles temas que está diariamente presente, na minha vida. Por isso, é disso que mais tenho para contar. As minhas crónicas são mesmo da miudice e, incluém tudo o que existe nesta vida real de gigantes, palhaços e saltos em comprimento.

Hoje apetece-me, definitivamente, falar um pouco da minha vida profissional, fazendo uma auto-análise crua e, o menos floreada possível, à minha pessoa. O que me ajuda a ver, claramente, o que ando aqui a fazer nesta mundo! [ i need know me].

Na escola primária, sempre fui boa aluna. Era daquelas crianças que adorava ir para a escola e era, consideravelmente, paparicada pelas professoras. Tinha boas notas e adorava língua portuguesa (livros mágiiicos), principalmente quando tinha de utilizar uma espécie de escrita criativa nas boas e velhinhas composições. Matemática era aquela base.. fazia-se, mas não com grandes facilidades, como os meus colegas que, se davam ao luxo de fazer contas de cabeça. Não. Pois que nunca me deu para ter cabeça de tabuada. Mas a coisa dava-se! A minha avó ajudava a decorar a tabuada e lá conseguia qualquer coisita nas avaliações e tpc's.

No colégio, este mesmo cenário, sempre se repetira. Boa aluna nas letras, menos boa aluna nas matemáticas. Tinha explicações a matemática, por isso tirara boas notas às duas áreas e não tinha, mesmo, motivos para queixas ou negativas. A par dos estudos, trabalhei, desde os quinze anos, durante o verão em restauração e hotelaria, o que influenciou a minha noção do quão dificil é ganhar a vida, incentivando o meu sonho de faculdade, sustento, independência e altos voos.

No secundário, quando tive que escolher uma área definitiva para seguir, obviamente que decidi seguir pelas humanidades. E, bingo! Moro numa terra pequena e, de facto, essa área não tinha alunos suficientes. Restara-me administração e cientifico-natural. Escolhi admnistração, completamente frustrada, mas querendo fugir às matemáticas e aos números. Os anos foram enrolando erros entre si e, apesar de convicta de que queria era algo relacionado com letras, deixei-me levar ao sabor da crítica. Sim, da crítica. Não me enganei na palavra.

As minhas escolhas para o próximo passo da minha vida eram todas para Jornalismo, direito, ensino de português, ou seja, para as letras. Eu não sabia ao certo o ponto, mas sabia a direcção da bússola. E a reacção de (quase) todos era, principalmente dos meus, era a mesma- "isso são áreas sem futuro algum, vais morrer de fome".

Escolhi Gestão de empresas e entrei para a faculdade com média de 16, sendo que para ingressar em gestão pediam média de 9,5. E pronto, deu-se um dos maiores passos em falso da minha vida. Já trabalhei na minha área em diversos locais. Neste momento, estou a fazer um estágio profissional. Sou infeliz com isto e não tenho certezas para avançar e fazer 180º à minha vida. Tendo vontade, não tenho suficiente!
Só penso no que, outrora, a minha professora de português escreveu num dos meus testes do décimo segundo ano - "não desistas desta área, segue via profissional disto, a tua escrita está muito boa".
E eu adoro escrever! Eu adoro português, desde sempre. Não que tenha uma escrita e uma gramática de gente graúda, mas o prazer que retiro disto é, sem dúvida, interminável.

Não tenho coragem, ainda hoje, para formar-me numa área que é, maioritariamente, excluída pelas estatísticas de colocação. Se voltasse atrás com dezoito anos, era o que faria, sem pestanejar. Mas quem é que com dezoito anos (ou menos) sabe, convictamente, o que quer fazer para toda a vida? Poucos, mesmo poucos.

Quando o estágio acabar... Deus sabe.

6 comentários:

  1. Olá :). Também vim espreitar o teu blog. Acertaste em cheio, mas permite-me a questão? Nota-se assim tanto? Li o teu texto e identifiquei-me com algumas passagens, inclusivamente no incentivo por parte da professora. No meu caso segui o conselho. Se já me arrependi? Sim muitas vezes. Se voltava a fazer o mesmo, sem dúvida. Beijocas e espero que passes por lá mais vezes. Eu vou voltar :).

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    1. Isto foi, de facto, estranho! Escreves muito bem, mesmo. E que licenciatura tiraste? Eu não segui, não quis arriscar tanto. :(

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    2. Obrigada. É muito bom ouvir (ler) isso :). Formei-me em Português e agora estou a ver se consigo alargar horizontes para dar formação na área.

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    3. :) E já trabalhaste na área querida?

      Onde estudaste? Isto dá-me um desejo tão forte. BAH

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  2. Olá Mia,

    Eu não sei a tua idade ao certo, mas tenho ideia que és novinha... vinte e poucos? Se essa é a tua paixão, ainda vais a tempo. E tens a vantagem de ter formação noutra área, tens algo a que te agarrar se a coisa der para o torto. Se não o fizeres agora, provavelmente, vais ver-te na mesma situação daqui a uns anos e se calhar acabas por fazê-lo mais tarde. E nessa altura vais achar estranhíssimo teres achado que agora era tarde. Esse bichinho não te vai deixar :) Tens a sorte de saber o que queres, nem todos têm, aproveita.

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  3. Olá Mia!

    Identifico-me um bocado com a tua história, mas de forma diferente. Quando eu saí do Secundário queria ser professora de Matemática. Sim, leste bem. Eu amava verdadeiramente a matemática e dava-me imenso prazer, tal como a ti te dá o português :)

    Na altura tive de fazer uma opção entre o que me faria mais feliz. Tirar um curso que amava mas sem ter rede de segurança, ou tirar um curso com rede de segurança que me ia permitir ter o futuro que sempre imaginei ter (e que regra geral todos imaginamos). E vim para Medicina. Não me interpretes mal, eu não fui para Medicina pelo dinheiro ou por interesse. Eu gostava realmente de pessoas, do corpo humano, de doenças, de saber mais. Simplesmente, gostava mais de Matemática.

    Hoje sei que fiz a escolha certa. O gosto pela matemática continua cá, mas em Medicina encontrei algo que nunca esperei encontrar: encontrei-me :D

    E nunca é tarde para nos encontrarmos Mia, independentemente de isso ser no trabalho que fazemos ou em outro qualquer ;)

    Muitos beijinhos e espero que tudo corra bem :)

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