sexta-feira, 29 de junho de 2012

So I Trust you


Sinto a minha vida parada como um barco preso ao caís. Estou de férias do trabalho e nem isso me anima, como verdadeiramente ansiava. Daquele trabalho que me prende a um erro do passado-eternamente-presente, que vinca ainda mais todas as indecisões que tenho na minha vida. Eu sou a menina que anima os serões de amigos, mas também sou a menina que não sabe aquilo que quer. Sou a menina que erra demais no trato com os outros e no trato comigo mesma, mais ainda. Sou a menina que tenta a cada dia que passa construir, mas que apenas monta tijolos dispersos sem qualquer estrutura. 
O barco, este meu barco de que vos falo, está preso ao caís há tanto tempo, que aos poucos perde a cor, desfia a corda e enferruja. O esforço que faço para ficar bem não tem sido suficiente, tem se revelado até mesmo negativo e instável. Eu já nem sei o que fazer, pior, nem sei se me apetece fazer. Porque quando nos deixamos ir numa bola de neve, é tão mais fácil, desistir e deixar a bola vencer-nos e ficar, cada vez maior e mais robusta. É desesperante! Estas últimas semanas nem sequer têm descrição, o meu coração não conseguiria dizer neste momento, o que tem sofrido. Engordei muito, alimento-me tão mal e consequentemente, desmoralizo e fico com mais problemas do que aqueles que tenho, inevitavelmente.  A falta de controlo sobre mim, acaba com tudo. E eu sinto que não estou bem da cabeça. Começo mesmo, gradualmente, a convencer-me disso. Tenho um sufoco no peito que não me permite aproveitar esta Vida que é boa de mais para ser vivida assim - estagnada no cais.


5 comentários:

  1. Sinto-me exactamente assim. Só não sei como tirar o barco do cais.
    Beijinhos

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  2. Olá Mia!

    É precisamente para isso que servem as férias: para fazeres uma introspecção, perceberes onde estão os problemas e perceberes como lidar com eles e como melhorar ;)

    Beijinhos e espero que sejas bem sucedida a tirar o barco do cais ;)

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  3. Hello!
    Mulher se achas que o barco está mesmo encalhado, podes sempre procurar ajuda profissional. Os psicólogos e psiquiatras não são mágicos mas ajudam a encararmos as coisas de outra forma. Por vezes pensamos que não é caso para isso e a bola vai crescendo ainda mais. Damos conta disso, pensamos que conseguimos sozinhas e depois ela cresce tanto que sufocamos. Entendes o que quero dizer?
    E o que tens feito estas férias?
    Beijos e aguardo feedback...

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  4. Gracias por su respuesta :)
    A tua descrição poderia ser a minha há uns anos. Eu conseguia devorar um pacote de bolachas entre o supermercado e a casa. São 2km = 2 minutos de carro. Parece quase impossível mas é verdade. Eu sei o que é fazer paragens em todos os supermercados e comprar uma coisa em cada um (como se não reparassem que eu tinha 100kg...). O peso acabava por não ser o pior de tudo, mas sim o descontrole que falas. É claro que isso afectava toda a minha vida e estava sempre a pensar em comida...
    Espero que o desabafo com a tua avó te tenha feito bem :)
    Beijos e se precisares...sabes onde me encontrar :)

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