sábado, 25 de fevereiro de 2012

Bem-estar ou felicidade

A Shelyra, um dia destes, confessou-me que quando fala comigo acha que me falta algo. Que não me acha entusiasmada, que estou sempre calma e nada eufórica nem tampouco entusiasmada. Algo deste género. Eu respondi-lhe que estava feliz. Mas que para mim, o conceito de felicidade que me encaixa é este- sentir a paz no peito. Anteriormente, há  relativamente pouco tempo atrás, qualquer coisa boa tornaria a minha alma desmedidamente eufórica. Algo no meu peito que não consigo explicar, começara na minha alma e, culminava no meu corpo, numa euforia lancinante. Porém, nos momentos seguintes, essa euforia daria lugar a numa tristeza sem fim. Um medo e desespero tremendos. Depois passei por muita coisa. Um desgosto amoroso feroz. Tornei-me fera ferida. Uma pessoa com feridas e tatuagens de dor. Existe, finalmente, passados alguns tempos, uma forma de estar na vida muito mais calma. Baseia-se tudo na dádiva da vida. Aceito o que a vida tem para mim, como se aceita o que a mãe fez de almoço, quando chegamos a casa cheios de fome a sério. Aprecio o nascer-do-Sol, a hora de almoço descansada, o prazer de ter trabalho, mesmo não sendo a coisa que mais goste de fazer, sinto os sorrisos das pessoas, sorrio muito. Encaro os domingos, esforço-me às segundas. Aprecio desmedidamente a liberdade das quintas e sextas. Sinto que o tempo faz parte de mim. Não o vejo passar, sinto que faço parte dele. Apaixono-me, todos os dias, com o meu avô e a minha avó. Com a minha mãe. Gosto de estar em dieta e sentir o controle sobre mim. Gosto de saber que faço parte do ciclo-vida. Gosto de saber que somos um e que a natureza é a coisa mais linda e mais rainha no mundo inteiro. Não me aflijo de não saber de quem não me quis. E sinto-me muito privilegiada com a vida que Deus tem para mim. Com o facto de poder escolher. De ter liberdade de escolha. E sinto cada dia mais isto. Estou calma.

Sexta, alguém me voltou a dizer que me acha calma, pacífica e tranquila. Só eu sei o furacão que tenho em mim, mas que aprendi a controlar. A respeitar o sistema da vida. Em confiar que isto tudo tem uma razão de ser. Não é nenhuma visão romântica, é a forma que adquiri pelas coisas que passei, é a forma de sobreviver à crise de valores que existe neste mundo. Como a massa que ganha forma no forno, assim somos nós com as nossas próprias vivências. E ainda quero ganhar a forma da paz mais perfeita. 

E assim vou vivendo, cada hora, cada dia...



3 comentários:

  1. percebo qdo dizes que ao cresceres ficas + calma, acho q é um pouco o que aconteceu cmg tb :) Beijinho

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  2. Amei o teu texto, de verdade! fez me pensar no quanto estou diferente agora em relaçao a alguns anos... Obrigada por partilhares

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  3. Adorei este texto. Aqui senti que não faltou nada. beijinho grande

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