sábado, 24 de dezembro de 2011

A fartura do Natal

Estive o dia todo animada. Super bem. Tão feliz, é natal e queremos senti-lo. À hora do jantar, fiquei estranhamente incomodada. Triste e impotente. Porque tanta comida na mesa fez-me, deveras, impressão. Com a vida como está, com tanta gente com fome e com tanta gente esperando dádivas, ultrapassando batalhas, não é normal estar uma mesa a abarrotar de comida. Camarão frito, toneladas de camarão grelhado, mexilhão, lombo recheado, bacalhau que se acabou por não comer. E tanta coisa mais. Ai que horror. Senti-me tão mal. Metade não se come e estraga-se. Tenho um aperto no peito. Não consigo reagir. A má gestão dos recursos que se têm, sustentam-me a respiração e fazem-me ficar perplexa e pálida. Que hipocrisia, Senhor. Vejam bem esta vida. Dívidas a dar com um pau e esta gente compra comida para jogar fora. Sinto-me mal. É isto. Pode ser que melhore entretanto e aproveite a noite mágica que costuma ser o Natal. Que nos realize os sonhos. E nos faça seguir o rumo que nos é destinado.  


Sejam felizes.

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