segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Devagar, devagarinho

Os dias não avançam. O tempo parece vazio, sem cor. A minha alma, essa, tenho a certeza que permanece cinzenta, mesmo daquele cinzento triste, perdido, com um ar enjoado e desvanecido. Eu intensifico isto, eu escondo-me do mundo, para que ninguém me veja neste estado. Estou revoltada ainda, muito mesmo. Quando se perde alguém por negligência ou sei lá porquê, a morte traz sempre uma desculpa. Mas fica-me tão mal esta tristeza, este não saber o que fazer da vida. Estou anulada. Apetece-me muito, mas muito ser mais que isto. Ser mais para a minha família, mais para mim, mais para alguém. E a tristeza? Que faço a esta cabra. É o luto. Atravessar o período de luto é tão inevitável que é inútil e fraco lhe resistir. Pois. 
Quero trabalhar mas trabalho nem vê-lo e a força vai me escapando entre os dedos como lama. Isto é tudo bem complicado, e o ser humano tem uma tendência lixada para se fazer de vítima. Eu tento-me acordar e porque tenho que ter força e porque tenho vinta-e-três anos e a vida ainda nem começou, porque vou ser muita feliz e porque vale a pena e a vida é bela e o que é é, e o que será será e tudo acontece por uma razão. Mas 'tá bem' e estes dia-a-dia sacana quem mos tira? Quem papa com eles sou eu e as minhas mães e o meu avô, que convenhamos apanham de tabela quando deveriam ser acarinhados e apoiados por mim.
Será que temos de ir devagar, e isto ainda vai melhor mesmo e a sério?!

2 comentários:

  1. tao querida??

    nao podes desanimar!! onde anda a força??

    beijoo

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  2. O tempo custa a passar, mas a dôr acabará por ficar mais leve, e a pouo e pouco, a vida retoma o seu percurso. Falo por experiência própria.
    Força!

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